Giuseppina Persico foi uma mulher forte. Viveu em um mundo de guerras, bombardeios e perseguições raciais que marcaram uma das maiores tragédias da humanidade. Mesmo assim, manteve a gana e a alegria de viver.
Essa alegria encontra um eco em Fuga a due voci, lançado em 1943: em meio à violência da guerra, o filme ainda abria espaço para a música, o encontro e o amor. Na lembrança da família, a força de Giuseppina e a alegria dessa história permanecem inabaláveis.
Nos bastidores do filme também havia uma história de perseguição. Aldo De Benedetti, um dos roteiristas, era judeu e teve seu nome silenciado pelas leis raciais fascistas. O protagonista era o barítono Gino Bechi. A presença dessa obra na homenagem aproxima a alegria da tela da coragem de continuar vivendo e criando em tempos de intolerância.1, 2
Segundo o relato da família, por volta de meados de 1943, Giuseppina escondeu em sua casa dois soldados britânicos, até conseguir encaminhá-los à resistência nas montanhas. Ao acolhê-los, arriscou a própria segurança e a de sua família. Um gesto de coragem e solidariedade, lembrado como parte de uma luta silenciosa.
A música que embalaria sua lembrança não poderia ser outra: La strada del bosco. Cantada por Gino Bechi em Fuga a due voci, ela ultrapassou a tela e, para a família, tornou-se a canção pela qual Giuseppina seria sempre lembrada.
Mulher forte, atravessou oceanos e manteve a família unida. Esteve ao lado de seu primeiro e último amor, Antonio Maffeis. Desse amor chegou seu querido Roby — “Il mio Roby” —, completando sua vida com um novo sentido de amor.
Homenagem baseada na memória compartilhada pela família.